Startup: Aprenda O Que É, Como Funciona e Conheça Startups Brasileiras de Sucesso

por | 14 jan 2020

Por Natália Pauletto Fragalle e Paulo Ricardo Souza da Silva

Startup é um termo que está super em alta no meio dos produtos e serviços digitais, mas você sabe exatamente o que ele quer dizer? Está relacionado apenas à tecnologia? O que torna uma startup especial em relação a outras empresas?

Descubra mais sobre esse universo inovador neste artigo e conheça algumas das startups brasileiras e internacionais nas quais vale a pena ficar de olho!

Algumas Startups residentes em ONOVOLAB.

Qual o significado de startup? 

Ainda não existe um consenso geral sobre o significado do termo startup (que é usado em inglês no Brasil), mas, nas palavras do empreendedor americano Eric Ries, autor do livro Lean Startup, “uma startup é uma instituição humana projetada para criar novos produtos e serviços sob condições de extrema incerteza”.

O termo vem sendo utilizado nos Estados Unidos há algumas décadas, mas ganhou popularidade no Brasil no final dos anos 90.

Apesar de ser muito associado à tecnologia e produtos digitais, as startups não se limitam apenas a esse universo, tendo como elemento fundamental a inovação em qualquer setor.

Abaixo a definição do Anderson Criativo sobre o que é uma Startup:

“Startup é uma empresa inovadora, criada por empreendedores com um propósito que vai além de simplesmente obter lucro, preocupada com o sucesso dos seus clientes, dos colaboradores e com o seu papel na sociedade.”

– ANDERSON CRIATIVO

Qual a diferença entre uma empresa tradicional e uma startup?

Cenário de incertezas

Diferente de uma empresa tradicional, uma startup ainda não possui um modelo de negócio totalmente definido, ou seja, o processo de como o trabalho é transformado em dinheiro ainda é muito incerto.

Segundo Eric Ries, isso ocorre porque as startups ainda não sabem bem quem são os seus clientes ou como devem ser seus produtos ou serviços. Dessa forma, não há como saber se a ideia que a startup pretende desenvolver vai dar certo ou se o negócio será sustentável.

Ries afirma que esse cenário de incerteza está muito ligado ao caráter inovador de uma startup.

Segundo o autor, o sucesso de uma nova empresa baseada em um modelo de negócio, produto, preço ou público-alvo já existentes só depende de uma boa administração.

Por outro lado, o objetivo de uma startup é descobrir o mais rápido possível o que pode resolver problemas dos clientes que ainda não são solucionados de maneira satisfatória.

Tempo de existência

Não existe um tempo certo que determine a vida de uma startup, mas o fato é que a maioria delas é muito jovem e pequena. 

Entretanto, uma startup tem grandes chances de não ter sucesso logo nos seus primeiros meses. 

Tudo vai depender dos esforços iniciais direcionados para entender o mais rápido possível como deve ser o modelo de negócio e o seu fit de mercado.

Repetível e escalável

Uma vez que uma startup opera com uma quantidade limitada de recursos em um cenário de grande incerteza, é preciso desenvolver um produto ou serviço que consiga atingir um grande número de clientes e gere lucro de forma rápida.

Para isso, a startup deve garantir a repetibilidade e a escalabilidade do seu negócio

Ser repetível significa que a experiência de consumo do produto ou serviço deve ser replicada de maneira simples, sem que haja muitas customizações ou adaptações e sem exigir uma grande quantidade de recursos financeiros e humanos.

Já a escalabilidade está relacionada à capacidade da startup crescer em receita com o aumento do número de usuários do produto ou serviço sem que os custos aumentem na mesma proporção.

Inovação

Enquanto as empresas tradicionais estão focadas em construir um plano de negócio sólido e uma visão de futuro, as startups se concentram em acelerar o seu processo de inovação através do ciclo de feedback descrito por Eric Ries.

Tal ciclo segue o processo Construir – Medir – Aprender, no qual tudo que é desenvolvido é testado em alta velocidade com o objetivo de medir o impacto e aprender se a ideia resolve de fato um problema real.
Seguir um planejamento “perfeito” é arriscado  para uma startup que está iniciando suas atividades com grande incerteza, pois ele não garante que a empresa irá prosperar.

Por isso, a startup deve se preocupar em testar as suas suposições de valor oferecido aos clientes e crescimento, utilizando de ações e ferramentas como produtos mínimos viáveis (MVPs), testes com os clientes finais e métricas adequadas.

Essas ferramentas ajudam na decisão de preservar, caso a startup esteja no caminho certo, ou de pivotar, caso a estratégia seja percebida como falha.

Baixo custo inicial 

Dentre as incertezas que permeiam o cotidiano de uma startup, uma delas é definitivamente a incerteza financeira. 

Por não possuírem um modelo de negócio totalmente definido, as startups começam a operar com uma quantidade pequena de recursos iniciais e, por conta disso, elas devem estar muito atentas às oportunidades.

Existem várias maneiras de as startups conseguirem investimentos iniciais para desenvolverem a sua ideia de negócio.

Por exemplo, o investimento pode ser feito através dos próprios empreendedores (bootstrapping), de um investidor-anjo (pessoa física), incubadoras (empresas ou universidades), crowdfunding (investimento coletivo) e aceleradoras (incubadoras com uma metodologia mais complexa e bem definida de desenvolvimento de startups).

Como implementar uma startup

Antes de começar uma startup é preciso se atentar a alguns pontos cruciais para que o negócio tenha maiores chances de sucesso.

O primeiro deles é entender se o produto ou serviço é inovador, ou seja, se o problema que a startup está tentando resolver é de fato um problema real das pessoas.

Em seguida, é preciso idear e construir uma solução para esse problema, que pode ser projetada através de processos criativos.

Um exemplo desses processos é a Design Sprint, que reúne pessoas de diversas áreas para entender a fundo as principais causas do problema, gerar uma grande quantidade de ideias, priorizar as melhores hipóteses de solução, construir protótipos e, mais importante, testar essas novas ideias com clientes reais.

Se após os testes as hipóteses de solução forem validadas, então será preciso dimensionar a escalabilidade e a repetibilidade do negócio para que seja possível aumentar a sua receita sem envolver grandes mudanças na estrutura.

Exemplos de Startups 

Startups Globais

Algumas das maiores empresas do mundo atualmente começaram como startups, dentro desse contexto de extrema incerteza e baixos custos iniciais. 

Elas se arriscaram, testaram suas hipóteses, aprenderam com seus usuários, pivotaram modelos que não estavam prosperando e desenvolveram novas ideias. 

Algumas dessas startups conseguiram ajustar o seu processo de tal maneira que conseguiram atrair grandes investimentos e passaram a valer mais de um bilhão de dólares no mercado, ganhando o status de “unicórnio”.

Além de nomes conhecidos internacionalmente como Uber, Airbnb e Spotify, outras startups unicórnio que têm ganhado destaque no Brasil.

Transferwise

A britânica Transferwise foi criada em 2010, com o objetivo de simplificar e baratear o processo de transferências internacionais de dinheiro. 

A empresa garante que as transferências sejam realizadas de forma fácil, rápida e econômica, prometendo ser até oito vezes mais barata do que os bancos.

Isso ocorre porque a Transferwise tem contas bancárias espalhadas no mundo todo, interligadas pelo seu sistema. Dessa forma, o dinheiro nunca atravessa fronteiras internacionais e, com isso, não são cobradas altas taxas.

Ilustração do sistema simplificado de transferência da Transferwise. Fonte: Transferwise.

A empresa foi avaliada em 2019 em 3.5 bilhões de dólares e conta atualmente com escritórios em quatro continentes e mais de quatro milhões de clientes.

Rappi

Rappi é uma startup colombiana criada em 2015 especializada em serviços de entrega de com conveniência.

Diferente das suas maiores concorrentes, como Ifood e Uber Eats, a Rappi não se limita apenas à entrega de comida, mas oferece um serviço de delivery para qualquer tipo de produto.

Desse modo, dentro de um mesmo aplicativo, o usuário pode, além de comprar e receber qualquer produto em qualquer endereço, solicitar vários tipos de serviços de entrega, como levar um documento ao cartório ou buscar um pertence esquecido em casa.

A Rappi foi avaliada em 3 bilhões de dólares em 2019 e possui atualmente cerca de quatro milhões de usuários, sendo o Brasil um dos seus principais mercados. 

Monday

A americana Monday é uma empresa fundada em 2010 que oferece uma plataforma de gerenciamento de projetos e equipes de trabalho.

O objetivo da startup é fornecer uma ferramenta intuitiva, visualmente compreensível e altamente customizável para se encaixar em uma grande quantidade de operações de negócios que vão do desenvolvimento de produtos à marketing e vendas.

De acordo com seu site oficial, a Monday conta atualmente com 86.000 equipes de trabalho como usuárias, tendo sido avaliada em 1.9 bilhões de dólares em 2019.

Nubank

Presente na lista internacional das startups que se tornaram unicórnios entre 2018 e 2019, encontra-se também a brasileira Nubank, banco digital avaliado em mais de 10 bilhões de dólares em julho de 2019. 

Fundado em 2013, o Nubank tem como objetivo simplificar a relação entre cliente e banco através do design, tecnologia e atendimento de qualidade. 

Design do aplicativo Nubank. Fonte: Nubank Design Team.

Para isso, a empresa não conta com procedimentos burocráticos, agências ou centrais de atendimento, oferecendo um serviço 100% digital.

O Nubank começou apenas com o serviço de cartão de crédito e, ao testar e aprender com os seus usuários, foi gradualmente expandindo seus serviços para trabalhar com contas bancárias para pessoas físicas e jurídicas, incluindo agora um serviço de empréstimos.

 Atualmente, a empresa conta com mais de 12 milhões de usuários, sendo a maior fintech da América Latina.

Startups Brasileiras

De acordo com um estudo feito pela Associação Brasileira de Startups em setembro de 2018, há por volta de 12.800 startups no Brasil, dentre as quais algumas merecem destaque.

iFood

Fundada em 2011, iFood é atualmente a empresa líder no setor de foodtechs na América Latina. 

Através do aplicativo desenvolvido pela empresa, o usuário pode realizar o pedido da refeição, realizar o pagamento e acompanhar em tempo real o status da entrega.

A empresa começou como uma startup e, devido ao seu amplo sucesso, recebeu uma série de investimentos de capital de risco, sendo adquirida em 2014 pelo grupo Movile, do qual falaremos no final deste artigo.

Com foco em inovação, a iFood recebe mais de 17 milhões de pedidos mensais e tem investido em iniciativas que reúnem soluções de gestão de restaurantes e inteligência de negócio, como a iFood Shop.

Quinto Andar

 A QuintoAndar é uma construtech criada em 2013 que atua no ramo imobiliário. 

A sua proposta baseia-se na simplificação do processo de aluguel de imóveis, garantindo a segurança e a agilidade tanto para o proprietário quanto para o inquilino, sem a intermediação de imobiliárias.

Para o inquilino, a empresa oferece uma análise de crédito rápida que possibilita que a pessoa consiga alugar sem qualquer custo adicional. Além disso, a Quinto Andar também permite o agendamento de visitas online e a assinatura de um contrato digital de aluguel.

Já para o proprietário, é possível encontrar o inquilino ideal através da tecnologia e o aluguel é depositado pela empresa todo mês, mesmo que o locatário fique inadimplente. Além disso, o proprietário acompanha todo o processo de aluguel pelo aplicativo no celular.

Atualmente a empresa atua em 29 cidades brasileiras e promete uma revolução no mercado imobiliário nacional.

99

Outra startup brasileira que tem ganhado muita visibilidade é a 99, que opera com serviços de locomoção por aplicativo móvel.

Mesmo sendo uma concorrente da gigantesca Uber, conseguiu, em 2018, rodadas de investimentos que chegaram a 1 bilhão de dólares, sendo umas das primeiras startups do Brasil a alcançar esse valor.

Movile 

Finalmente, outra startup brasileira que merece destaque é a Movile, que possui filiais em vários estados do Brasil (incluindo uma aqui no ONOVOLAB), além de outros países na América Latina e América do Norte.

A Movile é atualmente proprietária de muitas empresas no setor de produtos para dispositivos móveis, como o já mencionado iFood.

Sede da Movile no ONOVOLAB.

Assim como a maioria das startups, a Movile também começou pequena, errando e aprendendo muito antes do seu sucesso milionário. 

Por exemplo, a empresa chegou a investir 100 mil reais para desenvolver um aplicativo de vídeo que, por mudanças no sistema de notificação do Facebook, levou o projeto ao declínio.

A empresa, porém, tomou uma nova postura a partir do contato com métodos e processos de inovação adquiridos no Vale do Silício, mudando sua estratégia e passando a trabalhar com MVPs para a validação ágil das suas hipóteses fundamentais de negócio.

Essa nova maneira de trabalhar, inspirada em empresas como Google, colocou a empresa no caminho do sucesso, o que levou à aquisição de outras grandes startups, como ifood, Playkids, Wavy, Sympla entre outras.

Conclusão

Uma vez que uma startup inicia suas atividades, como garantir que ela cresça na direção correta para que ela obtenha sucesso? O que as startups de mais sucesso fizeram para atingir os melhores resultados?

Conheça Lean Startup, método desenvolvido por Eric Ries para medir o progresso de uma startup em um contexto de extrema incerteza, considerando o desenvolvimento de produtos ou serviços novos e inovadores sem que haja um desperdício de tempo e de recursos humanos e financeiros.

Quer saber mais sobre o que é a metodologia Lean Startup? Confira aqui o nosso artigo sobre essa metodologia, seus princípios e as principais ferramentas utilizadas pelas empresas para criar um negócio próspero e capaz de mudar o mundo.

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