Aprenda Tudo Sobre Lean Startup, Seus Princípios e Principais Ferramentas

por | 6 jan 2020

Ciclo de feedback de uma Lean Startup

Por Natália Fragalle e Paulo Ricardo.

Por onde começar a inovar em uma empresa? É preciso ser uma startup para trabalhar de maneira inovadora? Como garantir a entrega de valor para os clientes? 

Essas são perguntas comuns entre os empreendedores de pequenas e grandes instituições que desejam trabalhar com inovação no desenvolvimento de produtos ou serviços. 

Construir uma solução de alta qualidade é importante, mas o foco em resolver os problemas reais do cliente é o ingrediente mais importante dessa jornada, que deve ser permeada por momentos de entendimento do desafio, geração de ideias, testes com usuários reais e aprendizagem com os feedbacks coletados. 

Entenda tudo sobre o conceito de Lean Startup, que tem feito a diferença no modo de trabalho de uma série de empresas na última década, e suas principais ferramentas voltadas ao processo de inovação.

O que é Lean Startup?

A abordagem da Lean Startup (traduzido para o português como Startup Enxuta) foi desenvolvida pelo empreendedor americano Eric Ries durante os anos 2000 e se difundiu a partir da publicação do livro A Startup Enxuta (lançado no Brasil em 2012) e de um site

O livro A Startup Enxuta, de Eric Ries.

A metodologia Lean Startup reúne conceitos da administração e do desenvolvimento de produto, como o desenvolvimento de clientes e o design thinking.

Essas ideias foram adaptadas ao conceito de empreendedorismo dentro do universo das startups, que trabalham sob condições de extrema incerteza por não saberem ainda se o seu modelo de negócios entregará valor para os clientes. 

Dessa forma, o método Lean Startup propõe a aplicação do pensamento enxuto – que já estava presente na indústria tradicional (a partir da criação do Sistema de Produção Toyota) – ao processo de inovação.

Com isso, as empresas são convidadas a pensarem e agirem como uma startup, aumentando o contato com os clientes, testando pressupostos rapidamente e evitando premissas de mercado incorretas o mais cedo possível.

Os 5 princípios de uma Lean Startup segundo Eric Ries

1. Empreendedores estão por toda parte        

De acordo com Eric Ries, uma startup é uma organização humana, projetada para criação de produtos e serviços.

Dessa forma, o autor afirma que qualquer pessoa que esteja envolvida com esse tipo de trabalho, sob condições de extrema incerteza, pode ser considerada empreendedora, independente do tamanho da instituição ou qual setor esteja inserida.

Por exemplo, uma pessoa que exerce o papel de vendas em uma instituição e se propõe a aumentar a receita através da criação de um novo produto, ou realizar mudanças que visam melhorar o processo de vendas, pode ser considerada empreendedora.    

2. Empreendedorismo é gestão

Além de criar e projetar produtos e serviços, o empreendedor em uma instituição precisa ter um sistema de gerenciamento novo, que reflita as suas condições de trabalho. 

Isso implica em ter um processo mais flexível e inclinado ao aprendizado constante, garantindo que a inovação e o crescimento sejam cada vez mais acelerados.

3. Valide o aprendizado

Eric Ries propõe uma nova maneira de medir o progresso de uma empresa através de um processo que ele chamou de aprendizagem validada.

Tal processo se define pelo desenvolvimento de versões iniciais mínimas de produtos ou serviços, que possuem apenas aquilo que é essencial para a entrega de valor para o cliente.

 Essas versões devem ser rapidamente testadas com usuários reais e, a partir dos dados empíricos, é possível entender como esse produto deve crescer. 

4. Contabilidade para Inovação

Tão importante quanto testar ideias inovadoras com clientes reais e colher feedbacks, é medir o progresso do trabalho para garantir que todo esforço seja priorizado antes mesmo de ser executado. 

Essa nova contabilidade, segundo Ries, pode ajudar o empreendedor a definir melhor as responsabilidades atribuídas ao time e nortear o negócio para ações que tragam maior impacto e exigem menor esforço para serem implementadas.

5. Construir, medir e aprender

O ciclo de feedback, descrito por Eric Ries como parte fundamental de uma startup, corresponde ao processo de ter ideias, transformá-las em soluções viáveis e, mais importante, validá-las com clientes reais o mais rápido possível.

A partir do momento em que uma startup tem uma noção clara desse processo, ou já está envolvida com esse tipo de trabalho, o próximo passo é, então, descobrir como acelerar esse ciclo para aprender mais rápido através do feedback dos clientes.

 Consequentemente, é possível identificar oportunidades promissoras de atuação.

Metodologia ágil em uma Lean Startup

A ideia de agilidade dentro da abordagem da Lean Startup foi importada do conceito de desenvolvimento ágil, metodologia que surgiu dentro da área de software com o objetivo de reduzir o tempo gasto no desenvolvimento de produtos.

O conceito de Lean Startup tem como prioridade percorrer o ciclo Construir-Medir-Aprender com a maior velocidade possível para que, para além da redução do tempo de trabalho e dos custos do desenvolvimento técnico, seja evitado o maior desperdício de todos: criar um produto que não resolve os problemas das pessoas. 

Por conta disso, Eric Ries defende a criação de protótipos rápidos que possam ser testados para validar os pressupostos do mercado e as necessidades dos clientes.

Desse modo, segundo o autor, é possível evoluir de forma muito mais veloz em comparação com as práticas mais tradicionais de desenvolvimento de produtos, nas quais esses testes ocorrem apenas depois do lançamento no mercado.

Desenvolvimento com clientes

Uma vez que um produto ou serviço é construído através do ciclo de aprendizagem, é preciso identificar se essa solução se encaixa na necessidade do cliente.

Essa fase garante que a estratégia esteja bem alinhada com o modelo do negócio, as necessidades dos usuários finais e os objetivos a curto e longo prazo da instituição.

É preciso acompanhar o comportamento dos clientes para entender as suas necessidades, e perceber se, de fato, a solução irá ser impactante no  seu dia a dia. Dessa maneira, as startups conseguem construir produtos que resolvem problemas reais.

MVP ou Produto Mínimo Viável 

MVP se refere ao termo em inglês Minimum Viable Product, que foi traduzido para o português como Produto Mínimo Viável. 

O termo está em circulação desde os anos 2000 e se refere àquela versão do produto que permite uma volta completa do ciclo Construir-Medir-Aprender com o mínimo de esforço e o menor tempo de desenvolvimento.

Ao contrário do desenvolvimento de produto tradicional, no qual geralmente há um longo período de incubação para que ele seja lançado no mercado, no MVP todo recurso, processo ou esforço que não contribui diretamente com a aprendizagem que se deseja obter é eliminado para que se possa começar a aprender o mais rápido possível. 

lustração de como funciona um MVP. Fonte: Infomir

É verdade que, por conta dessa redução àquilo que é essencial à proposta de valor do negócio, às vezes os MVPs podem ser percebidos pelos clientes como produtos “de baixa qualidade”.

Porém, como afirma o próprio Eric Ries, essa percepção também pode e deve ser usada como uma oportunidade de descobrir o que faz mais falta para os clientes.

É importante ter em mente que o objetivo do MVP é ser apenas o primeiro passo em uma jornada de aprendizagem e não a etapa final dela. 

Por isso, colocá-lo diante dos possíveis clientes para avaliar as suas reações é tão importante: além de perceber problemas técnicos ou de design do produto, é possível também testar hipóteses fundamentais do negócio.

Com isso, ao término de cada ciclo de Construir-Medir-Aprender, é possível decidir mais cedo e com menos esforço se é possível seguir em frente com a estratégia original ou se é necessário pivotar.

Segundo Eric Ries, a principal lição que se obtém com o MVP é que qualquer trabalho adicional além do requerido para que seja possível obter a aprendizagem validada é considerado desperdício, não importa a relevância que ele pareça ter.

Métricas de vaidade e métricas acionáveis

Medir é uma ação fundamental que se possa saber com mais assertividade como está o desempenho do produto ou serviço alinhado à estratégia de negócio. Porém, algumas métricas podem criar uma falsa ilusão de  que o negócio está indo para frente.

Contabilizar o número de acessos em um site ou o número total de curtidas em uma página nas redes sociais é, na opinião de Eric Ries, considerado uma métrica de vaidade, pois esses não são indicadores que ajudam de fato o empreendedor a tomar decisões para melhorar o produto ou serviço.

Sendo assim, além de lançar uma solução no mercado, é preciso medir as principais interações dos usuário sob diversas perspectivas de uso do produto. Dessa maneira, as startups podem se orientar com base nos dados coletados.

Por exemplo, ao invés de medir a quantidade cliques em um site ou o número de downloads de um aplicativo, as startups podem medir o custo de aquisição de cada cliente (CAC), o tempo de uso do produto (LTV) ou mesmo quantas vezes esse cliente voltou a usá-lo. 

A partir dessas métricas, é possível medir o retorno sobre o investimento (ROI), ou até mesmo mudar a direção ou a estratégia de crescimento do negócio.                                                                                             

Ferramentas importantes de uma Startup Enxuta  

Testes A/B 

Os testes A/B consistem em uma análise comparativa que tem como objetivo testar versões diferentes de um produto oferecidas aos clientes ao mesmo tempo. 

Normalmente são testadas 2 variáveis do produto (daí o nome do teste, referente à versão A e à versão B), mas pode haver mais versões testadas simultaneamente.

Ilustração de como funciona um teste A/B. Fonte: Hostgator.

Um exemplo de sua aplicação pode ser o seguinte: para testar uma nova versão de um produto, como um aplicativo de vendas online com um novo design e novos recursos, pode-se enviar a nova versão a 50% dos clientes e manter a versão antiga para os outros 50%. 

A partir disso, deve-se monitorar os números de vendas para os dois grupos de clientes e observar as mudanças no comportamento entre ele para, então, analisar o impacto da nova versão.

Esse tipo de teste ajuda as equipes a refinar o entendimento do que os clientes querem e pode revelar coisas surpreendentes, uma vez que recursos ou funcionalidades que tornam o produto melhor aos olhos dos engenheiros e designers podem não causar impacto no comportamento do cliente.

Segundo Eric Ries, embora trabalhar com esse tipo de teste pareça ser difícil porque requer métricas extras para acompanhar cada variação do produto, o teste A/B quase sempre economiza muito tempo a longo prazo, pois elimina aquilo que não tem impacto para os clientes.     

Implantação contínua (Continuous Deployment)

É comum ver produtos como smartphones serem atualizados continuamente. Esse processo, entretanto, não corresponde necessariamente a uma entrega de valor para os clientes. 

O problema está no tempo de saída dessas novas versões e como essas mudanças são monitoradas.

Com o conceito de entregas em pequenos lotes, Eric Ries defende que, ao invés de desperdiçar meses de trabalho projetando algo, os empreendedores devem se concentrar em entregar uma pequena parte do todo o mais rápido possível.

Isso inclui também acompanhar acompanhar como essas mudanças estão sendo utilizadas pelos clientes e como isso impacta na estratégia do negócio.

Quando o tamanho do lote de entrega diminui, o tempo de entrega também fica menor.

Consequentemente, as novas mudanças podem ser analisadas mais rapidamente, fazendo com que a startup aprenda mais cedo se é preciso pivotar ou persistir com a ideia inicial.

Pivotar 

A partir dos aprendizados adquiridos com o ciclo de feedback é preciso se perguntar se há progresso suficiente para acreditar que a hipótese estratégica é correta ou se é preciso fazer uma grande mudança, ou seja, pivotar o conceito original do produto ou serviço.

Eric Ries define pivotar como a ação de realizar uma correção de curso estruturada, projetada para testar uma nova hipótese fundamental acerca do produto ou serviço e da estratégia empregada.

Segundo o autor, ao longo do ciclo de Construir-Medir-Aprender, é possível identificar.

sinais reveladores da necessidade de pivotar. Como exemplos, pode-se citar a eficácia decrescente dos experimentos com o produto e a sensação generalizada de que o processo deve ser mais produtivo.

Entretanto, Ries também afirma que, mesmo com base na metodologia e nas ferramentas ligadas à Startup Enxuta, a decisão de pivotar é, acima de tudo, humana e realizada com base na intuição dos tomadores de decisões.

Por conta disso, muitos empreendedores têm medo de tomar a decisão equivocada sem lançar o produto completo no mercado ou de reconhecer um fracasso na fase de desenvolvimento e desanimar o time.

Pivotar é, portanto, uma decisão difícil que deve ser abordada de maneira estruturada, utilizando de ações como programar reuniões regulares sobre pivotar ou perseverar, envolvendo os times de desenvolvimento de produto e liderança comercial.

Segundo Ries, os pivôs bem sucedidos colocam as empresas no caminho de desenvolvimento de um negócio sustentável e o maior desafio é chegar a cada pivô com rapidez.

Lean Canvas 

O Lean Canvas, que já se encontra na sua segunda versão, consiste em um passo a passo guiado para ajudar times multidisciplinares a produzir inovação.

Essa ferramenta não foi abordada por Eric Ries em seu livro A Startup Enxuta, mas foi desenvolvida pelo designer Jeff Gothelf, co-autor do livro Lean UX, e está muito associada aos princípios da Lean Startup descritos acima.

Por isso, ela é muito utilizada pelas empresas que desejam trabalhar de forma enxuta e ágil.

Lean Canvas

O principal objetivo do Lean Canvas é fazer com que o time consiga focar no “porquê” de determinado produto ou serviço estar sendo desenvolvido, concentrando o seu trabalho em um problema a ser solucionado e não em uma solução a ser implementada.

Isso faz com que as suposições sejam transformadas em hipóteses a serem testadas através de experimentos. 

Exemplo de Lean Startup que fez sucesso

Imagine um professor de matemática do ensino médio. Embora ele possa ensinar diferentes conceitos para os seus alunos, estará sempre ligado à grade curricular, que muitas vezes é definida uma vez por ano, como previsto nos órgãos nacionais reguladores da educação.

Sendo assim, como esse professor poderia experimentar o conceito de entregas em pequenos lotes? Como ele poderia experimentar soluções para tratar a dificuldade de cada aluno, que por sua vez, possui níveis diferentes de compreensão do conteúdo?

Em 2009, o programa de matemática School of One foi criado em Nova York com o objetivo de proporcionar um ensino diferente dos métodos tradicionais. 

Os professores criaram playlists diárias para os alunos, com tarefas baseadas nos diferentes níveis de aprendizado.

A cada nova playlist, era possível captar quais alunos estavam avançando em determinado assunto e quais tinham maior dificuldade. Os experimentos bem sucedidos foram, finalmente, implementados no currículo geral do estado de Nova York.

Esse modo de trabalho possibilitou à School of One construir novos modelos de ensino individual, medir quais alunos se adaptaram melhor a cada assunto e, assim, aprender como isso poderia ser implementado para ajudar mais alunos, expandindo o seu negócio.

Conclusão

Com os conceitos, passos e ferramentas relacionadas à metodologia Lean Startup apresentados neste artigo, já é possível começar a inovar em qualquer empresa, seja ela grande ou pequena.

O ONOVOLAB pode ajudar a sua empresa nessa jornada de inovação, garantindo o desenvolvimento de projetos que percorrem o ciclo Construir-Medir-Aprender e, com isso, resolvem problemas reais dos clientes.

4 Comentários

  1. GestorSoftware

    Muito bom o artigo sobre Lean startup..

    Lean Startup é uma metodologia que ajuda a inovar na empresa…

    Obrigado por compartilhar!

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  2. Gráfica na Barra da Tijuca

    Administrar o pouco é treinar o grande no amanhã. Muitos acham que precisam do planejamento perfeito quando na verdade já dá para começar a rodar com o que tem.

    Responder
    • Natália Fragalle

      A ideia é essa! Quanto mais rápido conseguirmos testar e aprender, mais acertado será o desenvolvimento de um produto ou negócio!

      Responder
    • Alexandre Sousa

      O planeamento tem forte influência do ambiente em que está inserido. Por exemplo, nos laboratórios da Física, as experiências representam a maior parte das vezes, uma mera variação de grau. Entre elas, existe um aspeto familiar: partilham a mesma essência de diálogo em movimento, baseado na criação de condições artificiais que possam ser reproduzidas infinitas vezes para pôr à prova as hipóteses formuladas.
      Quer isto dizer, que existem campos e áreas do conhecimento onde o planeamento perfeito não existe.

      Responder

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