Inteligência Emocional: Open Space

por | 4 jun 2020

Por Lia Botta

Inteligência Emocional? Com certeza você já pensou sobre a importância da Inteligência Emocional (IE). Perguntas como “Como desenvolver a IE?” “Qual é a relação ente IE e Soft Skills?” “Como lidar com fortes emoções?”, aparecem no Open Space sobre Inteligência Emocional que realizamos com membros da CATI Jr e da Materiais Jr.

Open Space sobre Inteligência Emocional junto as Empresas Juniores Cati Jr e Materiais Jr
Open Space

Ontem facilitamos um Open Space sobre Inteligência Emocional para 31 membros da CATI Jr (Empresa Júnior da Computação) e da Materiais Jr, ambas da UFSCar.

Foi super gratificante estar com a turma (mesmo que remotamente!) e trocar ideias sobre um assunto tão relevante. Mais legal ainda foi que os estudantes sugeriram este tema, o que mostra o quão ligados eles estão – as soft skills são cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.

Abrimos o evento nos apresentando e falando sobre o ONOVOLAB – esse ecossistema de inovação tão incrível do qual temos o privilégio de fazer parte!

Na sequência, fizemos uma breve introdução sobre o tema Inteligência Emocional abordando o conceito, seu impacto na forma como nos relacionamos e em nosso desempenho profissional, o quanto está atrelada ao desenvolvimento das soft skills, como o autoconhecimento é necessário para o amadurecimento emocional e a importância dos feedbacks em nosso processo de desenvolvimento.

Então chegou o momento do Open Space: hora de os participantes escreverem suas questões em relação ao tema. Como estávamos remotos, utilizamos a plataforma Miro para trabalharmos coletivamente nesta etapa e foi super produtivo. Alguns minutos para os participantes colocarem suas perguntas preenchendo os post-its virtuais e alguns minutos para organizarmos as perguntas, agrupando as semelhantes ou que estavam relacionadas.

miro-open space IE
Board do Miro que foi utilizado no Open Space junto a Empresas Juniores

E, então, iniciamos a etapa da discussão: por meio das respostas às perguntas, fomos aprofundando os tópicos de interesse dos participantes. 

As perguntas foram super interessantes e giraram em torno de como lidar com emoções intensas, como lidar com insegurança/medo, como “acalmar os ânimos” em determinadas situações, que técnicas utilizar para manejar as emoções, como lidar com emoções de outras pessoas e não se deixar influenciar por elas, quais são os comportamentos das pessoas que são inteligentes emocionalmente, como mensurar a inteligência emocional e como desenvolvê-la, como aprofundar o autoconhecimento, como praticar a IE no dia-a-dia, que soft skills são mais importantes no mercado de trabalho, como trabalhar a IE no contexto da Empresa Júnior.

Inteligência Emocional

Parte da dificuldade que muitas pessoas tem em lidar com as emoções vem do fato de a sociedade qualificar emoções como raiva e tristeza como erradas ou ruins. A emoção em si não é certa ou errada, mas sim o comportamento associado a ela. É possível sentir raiva e, por aceitá-la e compreendê-la, conseguir se comportar de maneira positiva e construtiva. Mas quando achamos que é errado sentir raiva, acabamos ignorando esta emoção e, por não compreendê-la, os comportamentos associados a ela tendem a ser negativos. 

Somos seres emocionais e aceitar as emoções como naturais é um primeiro passo (imprescindível) para desenvolver a Inteligência Emocional. Daniel Goleman, psicólogo e estudioso da Inteligência Emocional, diz que “nossos mais profundos sentimentos, as nossas paixões e anseios são diretrizes essenciais e que nossa espécie deve grande parte de sua existência à força que eles emprestam nas questões humanas.”. Ele acrescenta que “sem peso emocional, os contatos interpessoais seriam insossos”.

Por sermos, também, seres racionais, usar nossa capacidade de raciocínio para entender e aprender com as emoções nos leva ao tão desejado amadurecimento emocional. Goleman define Inteligência Emocional como “a capacidade de entender as emoções dos outros, compreender as próprias emoções e administrar estados emocionais”.

Autoconhecimento

Só se desenvolve a Inteligência Emocional por meio do aprofundamento do autoconhecimento, e só se consegue isso por meio da auto observação.

Em situações em que experimentamos emoções, a auto observação permite identificarmos a emoção e nomeá-la. Quando pensamos sobre a emoção, procurando compreender o que a desencadeou e porque isso nos afetou tanto, aprofundamos o autoconhecimento. E quando avaliamos as consequências das nossas reações (para nós mesmos e para outras pessoas), aprendemos sobre comportamentos mais ou menos adequados – o que nos deixa mais bem preparados para situações futuras. Algumas vezes não “damos conta” de nos comportar de forma construtiva e quando pensamos sobre isso, aprofundamos ainda mais o autoconhecimento.

Autoconhecimento está associado a autoconsciência, que é definida por John Mayer e Peter Salovey como “estar consciente ao mesmo tempo de nosso estado de espírito e de nossos pensamentos sobre esse estado de espírito”.

Como lidar com fortes emoções

Em situações de explosão emocional (também chamadas de “sequestros neurais”), o sistema límbico do cérebro proclama uma emergência, recrutando o resto do cérebro para seu plano de urgência. Nestes momentos, a parte pensante do nosso cérebro não consegue avaliar o que está acontecendo e chegar a uma boa ideia de como agir. Por isso algumas vezes nos arrependemos de coisas que fizemos e dissemos em situações como estas. 

Quando nos conhecemos suficientemente para saber que determinadas situações nos “tiram do sério”, podemos evitar de agir e tomar decisões “com a cabeça quente”. Quando a emoção se reequilibra, a capacidade de raciocínio retorna e é possível pensar a respeito e aproveitar para aprender com a situação.

Ao lidar com as emoções de outras pessoas, empatia, respeito e não julgamento são fundamentais para que a situação evolua de forma positiva.

Inteligência Emocional e Soft Skills

Ótimas hard skills não são suficientes para uma carreira de sucesso e por isso as soft skills são cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho.

Resultado de imagem para SOFT SKILLS
Soft Skills

Soft skills são nossas competências comportamentais e tem tudo a ver com Inteligência Emocional: conseguir manejar nossas emoções nos torna mais habilidosos no relacionamento com outras pessoas. 

Comunicar-se, trabalhar em equipe, manejar conflitos, adaptar-se a mudanças, inovar, lidar com pressão, administrar o tempo, tomar decisões, atender clientes e liderar serão ações mais ou menos efetivas dependendo da capacidade do profissional lidar com suas emoções e com as emoções de outras pessoas.

Como desenvolver as soft skills

Como já vimos, o autoconhecimento é ingrediente fundamental para o amadurecimento emocional. Mas não só para isso: se auto observar e aprofundar seu autoconhecimento é base para o desenvolvimento de qualquer competência (hard ou soft).

Assim como um guitarrista profissional precisou tocar muito guitarra para ficar excelente nisso, é preciso praticar a habilidade que desejamos desenvolver. Se somos bons em algo hoje é porque exercitamos bastante essa habilidade ao longo do tempo.

Se quero me comunicar melhor, preciso me comunicar para treinar essa competência. Um ponto de atenção: se comunicar é algo muito difícil para mim, pode ser que eu evite situações em que preciso fazer isso. Mas se evito, não exercito. Sendo assim, preciso me expor a situações em que preciso me comunicar para poder praticar essa habilidade. Para isso, não é necessário começar dando uma palestra para dezenas de pessoas. Posso (e é recomendável) começar me expressando mais vezes quando estou com amigos ou com familiares com quem me sinto à vontade. E ao longo do tempo me sentirei mais seguro para me expressar mesmo em situações menos confortáveis.

Quando não estamos acostumados a fazer algo, ficamos tensos – por isso é comum não nos sairmos muito bem nas primeiras vezes. Apenas à medida em que nos expomos à situação, começamos a nos sentir mais à vontade e seguros. Assim, o nível de tensão cai e temos a oportunidade de sermos cada vez mais bem sucedidos, o que é base para o desenvolvimento da auto confiança.

A importância dos feedbacks

Nossa percepção é uma percepção. Quando ouvimos outras pessoas, temos a oportunidade de conhecer outras percepções e ampliar nossa compreensão. Por isso os feedbacks são tão importantes para nosso desenvolvimento. Esteja aberto a feedbacks e, mais do que isso, peça feedbacks. Do amigo, da irmã, dx companheirx, do colega de trabalho, da liderança, do cliente. Ouça, elabore, reflita, matute e,no final, amadureca.

No contexto de trabalho, contribua para uma cultura de feedbacks, promovendo desenvolvimento para si e para os outros!

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2 Comentários

  1. Jorge Antonio Alves

    Boas , esse tema e fundamental para o desempenho profissional , o que acontece e que muitas vezes somos expostos a uma pressão exagerada por desempenho isso muitas vezes extrapola os limites razoareis no meio de tudo isso nos tornamos reféns.
    Gostaria se possivel pedir a voce uma indicacao de leitura para me aprofundar no assunto.
    OBRIGADO.

    Responder
    • Antonella Sutil

      Boa tarde Jorge! Muito obrigada pelo comentário. Se torna muito difícil desenvolver nossa inteligência emocional quando o contexto não contribui mas de fato é a própria inteligência emocional que ajudará no correto manejo da situação.

      Recomendo se você tiver interesse em compreender melhor sobre IE o livro de Daniel Goleman “Inteligência emocional: A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente”.

      Abraço

      Responder

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