Design Sprint como solução de problemas: um case de sucesso entre ONOVOLAB e Cervejaria Ambev

por | 27 jan 2020

Por Natália Pauletto Fragalle

Conhece a metodologia da Design Sprint, mas não sabe se ela funciona mesmo? Ela serve apenas para desenvolver produtos digitais? 

Leia mais sobre o trabalho desenvolvido pelo time ONOVOLAB em parceria com a Cervejaria Ambev e descubra como a Design Sprint pode ser utilizada também como ferramenta para solução de problemas estratégicos das empresas.

A Cervejaria Ambev

Criada em 1996, a Ambev surgiu da união da Companhia Antarctica Paulista e da Companhia de Bebidas das Américas, tornando-se a primeira multinacional brasileira, a terceira maior indústria cervejeira e quinta maior produtora de bebidas do mundo.

Em 2004, a Ambev se junta à belga Interbrew e forma a InBev, grupo que possui operações em mais de 30 países e vendas em mais de 130 países, sendo o maior fabricante de cerveja do mundo, incluindo em seu portfólio marcas como Brahma, Budweiser e Stella Artois.

A Cervejaria Ambev, braço brasileiro do grupo, é uma empresa de capital aberto, sediada em São Paulo, mas com atuações em 16 países das Américas. 

Segundo o site da companhia, no Brasil, a empresa possui 30 unidades espalhadas por todo o território, além de 100 centros de distribuição e mais de 30 mil colaboradores.

Além da cerveja, a empresa também é destaque na produção de refrigerantes, isotônicos, sucos, chás, energéticos e água, incluindo marcas como Pepsi, Lipton, Guaraná Antarctica, Do Bem, Fusion e Ama. 

O Desafio

Para concretizar sua missão de ser excelência em produção de cervejas e bebidas em geral, a Ambev tem como foco principal oferecer uma experiência que tenha impacto significativo na vida do consumidor. 

Neste sentido, a empresa acredita que para proporcionar produtos de qualidade, é preciso investir naqueles que considera o seus ativos mais valiosos: as pessoas que estão envolvidas em todas as etapas da sua produção e distribuição.  

Por que a Design Sprint?

Com o propósito de valorizar os colaboradores da empresa, a Ambev tem buscado maneiras de gerar autonomia e aumentar o engajamento, tendo como foco aqueles que estão ligados a todas as fases de produção das cervejarias.

Para isso, o maior desafio se encontra em integrar de maneira mais eficiente áreas que trabalham em conjunto. 

Uma vez que a empresa também tem voltado as suas atenções à inovação, a Design Sprint foi identificada como uma ferramenta promissora para gerar soluções em um curto período de tempo, contando com a participação das pessoas que estão diretamente ligadas ao desafio.  

E, para tirar as ideias do papel, o ONOVOLAB foi visto como o parceiro ideal nessa jornada, pois entendemos que o objetivo principal de uma Design Sprint não é desenvolver um produto, mas gerar ações de maior impacto e menor esforço que possam se concretizar rapidamente. 

Dessa forma, a Design Sprint pode desempenhar um papel fundamental fundamental no desenvolvimento de estratégias e na otimização de processos internos das empresas. 

O que fizemos

Como se trata de um processo de produção complexo, realizado em várias unidades e passando por diferentes etapas, o desafio foi dividido em três fases.

Com isso, realizamos três Design Sprints em três unidades diferentes da cervejaria – as três maiores do Brasil – e com foco em diferentes partes da produção.

A primeira Design Sprint foi realizada na unidade do Rio de Janeiro entre 9 e 13 de setembro de 2019, contando com a participação de 10 pessoas. 

O time de realizadores da Cervejaria Ambev no Rio de Janeiro.

A segunda Design Sprint ocorreu em Jaguariúna-SP de 30 de setembro a 04 de outubro de 2019, com um time de 10 participantes. 

O time de realizadores e especialistas convidados da Cervejaria Ambev Jaguariúna.

Finalmente, a terceira aconteceu na Cervejaria do Vale, em Jacareí-SP, entre 04 e 08 de novembro de 2019, com a participação de 13 realizadores. 

O time de realizadores e especialistas convidados da Cervejaria Ambev Jacareí.

Optamos por conduzir as Design Sprints dentro das unidades da Ambev, para que a etapa de testes com usuários fosse realizada dentro das linhas de produção, com os colaboradores reais da empresa. 

Segunda Feira: Entender

O primeiro dia da Design Sprint é focado na definição do desafio principal a ser encarado e do objetivo a longo prazo.

Para isso, a primeira atividade do dia é dedicada a entender os vários pontos de vista acerca do desafio a ser trabalhado a partir das perspectivas dos membros do time de realizadores. 

Nas três Design Sprints, os times de realizadores contaram com especialistas das diversas etapas da produção, além colabores das áreas de gestão de pessoas, inovação, desenvolvimento tecnológico, vendas e distribuição.  

Entrevista com especialistas em Jaguariúna.
Entrevista com especialistas em Jaguariúna. 

As falas dos especialistas deram origem a diferentes categorias de desafios que envolvem o problema central e, com a ajuda dos definidores, foram escolhidos os objetivos a longo prazo. 

O definidor é quem dá o voto final pela equipe nas decisões mais importantes da Design Sprint. Na Cervejaria Ambev, contamos com a participação de definidores das áreas de People Innovation, Logística e Gente e Gestão.

Definidos os objetivos de cada Design Sprint, foram realizados mapeamentos completos das jornadas de produção. Com isso, o time de realizadores identificou os principais pontos de contato entre os desafios trabalhados e as atividades de produção, para os quais seriam desenvolvidas ideias de soluções.

Mapeando as jornadas na Cervejaria Ambev Rio de Janeiro.
Mapeando as jornadas na Cervejaria Ambev Rio de Janeiro.

No caso da Design Sprint de Jacareí, como a equipe de realizadores era maior, foi possível identificar 2 pontos principais no mapa e, com isso a equipe foi dividida para que fossem trabalhados dois desafios distintos, que dariam origem a dois protótipos diferentes.

Desse modo, ao final do dia, cada realizador já havia desenvolvido suas primeiras ideias individuais de como poderia ser a solução dos desafios, em conformidade com os objetivos definidos anteriormente. 

Alguns dos esboços individuais desenvolvidos pelo time do Rio de Janeiro.

Terça-Feira: Definir

No segundo dia, as ideias individuais foram votadas pelas equipes e uma delas foi escolhida pelo definidor, incluindo parte de outros esboços que pudessem contribuir para o desenvolvimento da ideia principal.

Cabe ressaltar que todas as ideias escolhidas envolviam o desenvolvimento de algum tipo de solução digital que “solucionasse todos os problemas” de comunicação e tomada de decisões.

Neste momento da Design Sprint, os times de realizadores ainda enxergavam a metodologia como uma ferramenta para desenvolver um produto complexo, que necessitaria de meses de desenvolvimento e testes para que pudesse ser implementado.

Ao longo do dia, as quatro soluções escolhidas foram desenvolvidas pela equipe até se tornarem storyboards detalhados de como seria a interação com a solução. 

Confecção do storyboard por uma das equipes de Jacareí.

Quarta-Feira: Construir

Nas três Design Sprints, a quarta feira foi dedicada à construção dos protótipos e à elaboração do roteiro de testes. 

Os protótipos foram construídos pelos próprios realizadores utilizando a ferramenta Marvel App, que permite construir uma interface de alta fidelidade tanto para  smartphone, quanto para tablet e desktop de forma intuitiva e rápida. 

Construção do protótipo em Jacareí.

Já os roteiros de entrevistas foram elaborados seguindo orientações passadas pelo time ONOVOLAB, como, por exemplo não apresentar o protótipo desenvolvido ao usuário como uma solução, já que ele é quem iria dizer se aquilo resolve ou não seu problema.

Outra dica diz respeito a procurar se aprofundar sempre nas respostas dadas pelo usuário, perguntando “por que” ou “como”.

Além disso, cada time deveria pensar em uma ou duas tarefas simples para que o usuário pudesse executar navegando pelo protótipo, porém sem explicar para ele como fazê-lo. 

A ideia é que o usuário encontre sozinho o caminho a ser percorrido pelo protótipo para percebermos o quanto ele é intuitivo. Também é importante deixar claro para ele que não há respostas certas ou erradas no experimento. 

Finalmente, o time deve sempre lembrar o usuário de narrar suas ações e pensamentos em voz alta para que seja possível que os entrevistadores anotem os feedbacks dados e as dificuldades encontradas. 

Na Design Sprint do Rio de Janeiro, o time ONOVOLAB conduziu uma entrevista experimental com uma das colaboradoras da empresa que estava ciente da realização da Design Sprint, mas não estava familiarizada com o protótipo desenvolvido.

Essa entrevista foi assistida pelos participantes e gravada, para que depois pudesse ser enviada aos realizadores das Sprints de Jaguariúna e Jacareí. Assim, o time de realizadores já estaria preparado para conduzir as entrevistas no dia seguinte. 

Quinta-Feira: Testar

A quinta feira é um dia dedicado aos testes dos protótipos com usuários reais. Nas três Design Sprints, tivemos a oportunidade de apresentar as ideias desenvolvidas aos profissionais que utilizariam essas soluções dentro da linha de produção. 

Testes com usuários em Jacareí. 

Os quatro protótipos foram testados por pelo menos cinco pessoas, com a duração de cerca de 40 minutos, para que fosse coletada a maior quantidade de feedback possível sobre a hipótese de solução desenvolvida.

Nas Sprints do Rio de Janeiro e de Jaguariúna, os times também realizaram testes remotos para que profissionais de outras unidades da Cervejaria Ambev também tivessem acesso ao trabalho realizado e pudessem contribuir com seus pontos de vista.

Sexta-Feira: Aprender

O último dia da Design Sprint foi construído pelo time ONOVOLAB para atender as necessidades dos participantes da Design Sprint.

Na metodologia original desenvolvida pela GV, a sexta feira é dedicada aos testes e não há muitos encaminhamentos sobre os feedbacks coletados.

Na Design Sprint ONOVOLAB a sexta feira é utilizada para trabalhar os dados coletados nas entrevistas e transformá-los em ações que se iniciam nas semanas seguintes para que os aprendizados possam ser cada vez mais acionáveis.

Com isso, os feedbacks coletados nas entrevistas foram organizados em fatos estatísticos. Os 10 fatos mais relevantes com relação ao objetivo do desafio foram, então, interpretados e conectados pelos times, gerando insights sobre as hipóteses das causas desses problemas. 

Finalmente, as equipes elaboraram um conjunto de ações ligadas a oportunidades de atuação de forma a atingir os objetivos a longo prazo. Essas ações foram, então, classificadas de acordo com impacto relacionado à solução do problema e o esforço necessário para a sua realização.

Construção da matriz de impacto e esforço com o time do Rio de Janeiro.

Com isso, os times puderam perceber quais eram as ações que possuíam alto impacto e não implicavam em grandes esforços de desenvolvimento tecnológico ou altos custos de execução. 

Muitas das ações elaboradas envolviam apenas alterações de fluxo de trabalho ou mesmo pesquisas de opinião para validar mudanças.

Como última atividade, as três principais ações de cada time foram transformadas em experimentos a serem conduzidos após a Design Sprint. 

Para cada experimento, foram listados os passos viáveis para a sua realização, quais as formas de mensurar os resultados e qual o prazo para a sua finalização. 

Finalmente, como encerramento de cada semana, as equipes puderam apresentar os trabalho desenvolvidos a gerentes e diretores da Cervejaria Ambev.  

Apresentação do case no Rio de Janeiro. 

Conclusão

Você pode estar se perguntando: ações tão simples como as mencionadas acima podem ser consideradas como inovação? 

Os participantes das três Design Sprints realizadas nas unidades da Cervejaria Ambev entenderam que o primeiro passo para a inovação não é o desenvolvimento de uma solução digital que irá resolver todos os problemas de uma vez.

Os times conseguiram entender que tinham total capacidade de melhorar a sua própria rotina de trabalho com ações que demandam baixo esforço e alto impacto e que os protótipos desenvolvidos serviram apenas como meio para testar as ideias e para revelar o que precisava ser mudado imediatamente. 

Foi possível compreender que a inovação está em colocar o foco nas pessoas e em gerar aprendizados rápidos para que suas necessidades sejam atendidas e experiências incríveis sejam criadas tanto para os colaboradores quanto para os clientes. 

Ao final de cada Design Sprint, pudemos ver os participantes se tornarem defensores da metodologia e agentes de mudança em seu ambiente de trabalho. Ninguém terminou a semana do mesmo jeito que começou e todos se sentiram parte da construção de algo novo dentro da empresa. 

A parceria de sucesso entre Ambev e ONOVOLAB nos enche de orgulho e esperamos que muitos bons frutos venham do trabalho que realizamos com todas essas pessoas incríveis e inovadoras. 

Se você quer aprender mais sobre o tema, sugerimos esse nosso artigo que explica em detalhes como fazer design sprint.

Agora, se você está pronto para transformar sua empresa, converse com um especialista sobre o seu negócio para encontrar soluções inovadoras com o design sprint.

2 Comentários

  1. Fábio Bortoloto

    Relevante e esclarecedor este artigo. Muitos imaginam que design sprint só é aplicado em produtos digitais.

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    • Natália Fragalle

      Obrigada pelo comentário Fábio! Sim, ainda existe uma crença muito grande de que a Design Sprint serve apenas para criar novos produtos digitais. Entretanto, o produto mais rico da Design Sprint são os aprendizados adquiridos. A metodologia pode ser aplicada para gerar ideias e aprendizados para produtos físicos e processos.

      Responder

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